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O OBSERVATÓRIO

O Observatório de Cinema e Migrações Transacionais é um projeto  desenvolvido por professores e alunos de três grupos de pesquisa, o Deslocar – Interculturalidade, Cidadania, Comunicação e Consumo e o Sense - Comunicação, Consumo, Imagem e Experiência sediados no PPG em Comunicação e Práticas de Consumo da Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo (PPGCOM- ESPM), Brasil, e EIKOS - Imagem e Experiência Estética, do Mestrado em Cinema e Artes do Vídeo da Universidade Estadual do Paraná (PPGCINEAV UNESPAR). O Observatório conta, ainda, com a curadoria de acadêmicos e ativistas do cinema e/ou das migrações transnacionais de diferentes países (Argentina, Bélgica, Brasil, Holanda, Bélgica, Estados Unidos, Espanha, Inglaterra). 

O Observatório de Cinema e Migrações Transnacionais é uma plataforma criada com o objetivo de ampliar e atualizar, de modo permanente, o acervo de obras audiovisuais sobre migração transnacional, em diferentes formatos, linguagens e gêneros narrativos, disponibilizado no Guia de Cinema e Migrações Transnacionais, lançado em 2018 pela editora da Universidade Federal de Roraima como resultado da parceria de dois dos grupos de pesquisa que também integram a equipe do Observatório, o Deslocar e o GRUDES. 

O Observatório é composto de acervo de filmes e séries sobre migrações transnacionais que permite busca por palavras chaves, por regiões geopolíticas de produção dos filmes - América Latina, América do Norte, África, Ásia e Oceania - ou ainda por interfaces temáticas: Infância e juventude; Gênero e sexualidade; Racialidade e Realizadores(as) migrantes e refugiados.  

O Observatório abrigará, ainda, uma seção para publicação de comentários livres sobre os filmes, a serem elaborados pelos curadores e por outros acadêmicos e ativistas que atuam no campo das migrações e/ou cinema. O Observatório pretende se consolidar também como um espaço de organização de eventos periódicos (debates, webinars, lives, etc.) em torno do acervo e de divulgação de eventos e de bibliografia sobre cinema e migrações transnacionais. 

Recuperamos aqui os critérios que pautaram a seleção do acervo de filmes que constituem o Guia de Cinema e Migrações Transnacionais e que orientam também o Observatório. Para a elaboração do Guia, partimos de um levantamento 1200 filmes sobre a temática da migração, dos quais 260 sobre migração transnacional, para a escolha final de um corpus de 42 filmes, selecionados a partir de uma delimitação metodológica que implicou no cruzamento de dois eixos: o recorte transnacional, que excluiu, por exemplo, filmes contemporâneos que observavam migrações anteriores à década de 1990; o recorte temático-argumentativo em que as migrações transnacionais precisavam ser centrais na linha narrativa dos filmes e as possibilidades de acesso às obras, escolhendo o cinema (a sala escura, a exibição prévia, mesmo que apenas em festivais) como lugar de memória desses deslocamentos. Procuramos orientar essa seleção pela facilidade de encontrar os filmes dirigidos às salas de exibição, não deixando, contudo, de privilegiar uma filmografia sobre migração conhecida e consumida em DVDs, plataformas online, sistemas on demand, etc. 

Com base nesses critérios, o Guia de Cinema e Migrações Transnacionais reuniu um universo de 42 filmes que, a nosso ver, em narrativas plurais e em estéticas diversas, evidenciam como os cinemas mundiais produzem narrativas sobre um dos dramas humanos mais diversos e profundamente associados às transformações das geopolíticas globais e às dinâmicas socioculturais, políticas, econômicas e comunicacionais contemporâneas, em que se articulam passado e presente, próximo e distante, familiar e estranho. Sem a pretensão de ser definitiva ou dar conta da pluralidade e amplitude dos 42 filmes e cinematografias mundiais produzidas ao longo da história do cinema, a escolha dos filmes para compor o Guia se pautou pelo desejo de dar visibilidade a um universo fílmico em que, de modo sensível e profícuo, as experiências das migrações transnacionais têm sido narradas sob perspectivas antropológicas, políticas, sociais, ambientais, identitárias, e, em última instância, humanas. 

Por outro lado, no processo de seleção dos filmes, nos empenhamos em conseguir um equilíbrio entre os cinemas mais hegemônicos (norte-americano, europeu) e os cinemas menos conhecidos (africano, asiático, latinoamericano). Contudo, não deixamos de nos preocupar em enfatizar representatividades a partir das filmografias específicas desses cinemas, uma vez que consideramos a impossibilidade de privilegiar um/a cineasta, ou ainda problemático assumir um recorte que priorizasse os lugares de origem, produção e distribuição do filme - desde o que é muito criticado (o prisma “nacional”, estilístico ou temático historicamente presente em certas cinematografias). 

No que se refere à temporalidade, estabelecemos a década de 1990 como recorte/prisma das migrações transnacionais focalizadas no Guia, especialmente por entendermos que representa o contexto temporal de uma série de imposições e mudanças: dilemas políticos e globalizações que disseminam desigualdades e injustiças, efeitos crescentes das mediações interculturais, novas retóricas e tentativas de impermeabilização de fronteiras, recrudescimentos jurídicos e policiais, etc. Coincidentemente, momento também de inflexão para o cinema que começa a sofrer transformações da ordem de sua produção, distribuição e circulação – desde a digitalização frente à resistência do celuloide, passando pela universalização das cadeias de produção e dos regimes de espectatorialidade do cinematográfico/audiovisual. Nesse processo, a globalização cultural e a crescente internacionalização das produções tornam cada vez mais complexa a origem nacional de um filme. Nesse aspecto, certa representatividade entre os diferentes cinemas em suas formas organizacionais (documentários, ficcionais, ensaísticos) e todas as imbricações possíveis também nos orientaram nessa seleção demarcada pela relevância das migrações nas narrativas sociais: o drama humano tanto em sua complexidade coletiva como na importância da subjetizações-dessubjetivações/identidades a partir dos anos 1990, até a chegada aos anos mais recentes, onde as plataformas de exibição têm sido o espaço destacado em que diversas produções ensejam as questões migratórias construídas transnacionalmente.    

A exemplo do Observatório, o Guia está orientado a um público amplo, não apenas especializado em cinema ou restrito ao âmbito acadêmico. Para isso, abre um espaço para pesquisadores e ativistas vinculados aos movimentos sociais migratórios em diferentes países descrevessem, narrassem e interpretassem filmes com maior liberdade analítica (salvaguardando os limites de espaço de um livro e a importância da temática). A ideia era justamente dar liberdade temática-discursiva aos/às autores/as na produção de análises sobre os filmes, mediadas por suas experiências de reflexão e/ou intervenção no campo migratório. Esse espaço é também preservado no Observatório, mas agora com maior liberdade de espaço.